Normalmente os meses em que escrevo mais aqui é quando faço mais disparates. É até estupidamente apurada esta métrica. Quando me perguntarem, então rapazinho tens sido feliz?, irei responder, ide ver o número de posts em cada mês.
Isto tudo porque no meio da minha ridcula perdição, tenho feito umas coisas no rubiele piake e no outro dia estava numa de ver stats e fiquei abismado com a ridicula precisão no número de posts, tendo em conta o número de pessoas a escrever. Assim que o staff estabelizou, são meses e meses entre 28 e 31 posts — somos 4 pessoas, porque é que uma coisa aparentemente tão random bate assim tão certo?
Comprei um caderno A5 de boa qualidade, o bloco de notas mais pequeno disponível e uma caneta, do modelo que eu comprava sempre no secundário (entretanto parece que há a evolução desse modelo) e que deixei de comprar porque era mais cara e as bic escreviam bem. Queria fazer menos disparates, por isso pensei e porque não escrever, talvez planeando melhor as coisas faça menos disparates.
Volvidos esses 15 dias, acho que foi uma boa ideia e de facto permitiu-me optimizar recursos, mas que não deixa de ser um fediver (ou lá como se escreve) inútil. Não me motiva mais, não me deixa mais contente, não me alimento melhor, não durmo melhor, não estudo mais, não trabalho mais, não conheço mais gente na vida real. Continuo estúpido.
Normalmente com as poucas pessoas que falo um pouco disto, sempre me dizem algumas coisas em que sou bom. E fico a pensar no que é que essa merda interessa. O que quero dizer é que, isso é precisamente o problema. Não se trata de eu condenar comportamentos.
Consciente ou inconscientemente não há muita coisa que me possam dizer que tenha algum efeito. Daquelas coisas que pessoas dizem umas às outras — não necessáriamente conversas de lugares comuns; é uma expressão para me referir ao ponto que estou a abordar. Aliás,quantas pessoas estão em condições sequer de iniciar uma conversa destas em que eu tenha a disposição sequer de ouvir? E metade delas nem fala mais comigo, porque as poucas pessoas que vou tendo como amigos, seja la porque for, sempre acabam por deixar de o ser (legalmente pelo menos, que ser um passado addicted também não é só negatividade) –;yay mais uma coisa que sou bom, também devo ficar contente?(not)
E oiço boas coisas e certas, nem será essa a questão. Talvez pessoas também pensem sozinhas mas ter alguém a dizer é diferente — eu acredito nisso. Bem… mas quando sou eu a ouvir, não é diferente. É igual. O pensar, é parte inerente do processo de descobrimento de possíveis soluções — porque a solução per si faz parte de um conjunto alargado de pequenas soluções que servem o propósito maior. E eu, bem, sempre sei quais são soluções. Então é como o caderno A5. Estabelecendo um “tunel” de paralelismo mirabolesco, o que me dizem — no que sou bom, soluções e o que se designa por “força” : tudo isto processos de ajuda que outros têm para comigo — e o que está no caderno A5– o meu próprio processo de ajuda — apesar de se assumirem como as duas vertentes fundamentais do que se quer como solução, fazem paradoxalmente parte do próprio problema. Alimeam-no, prolongam-no, agudizam-no.
O leitor facilmente percebe o que falta. Concretização.
Mas também isso é passível de ser operacionalizando com a ajuda de certos mecanismos que catalizam a prática da mesma. Mas como? Quais? Redundante. Voltariamos a algo que se não é preto é branco e que resulta e algo bonito, mas que se afigura para mim também parte do problema.
Seja do que for, tem de partir de mim.
É esta curta a frase bem exploratória de toda esta modalidade deóntica de comunicação que para aqui tenho estado a exercer. E é isso que me derrota. Não tenho vontade de nada. Para nada.
E dá vontade de, dizer boa noite e ir ali ser outra pessoa. Formatar. Reiniciar. É a nossa individualidade a falar. Ficamos absorvidos pelo cooperativismo, por ser uma parte tão inerente da nossa felicidade, que depois nos suga. Sim tenho muita coisa e tenho muita gente. Tenho pessoas e objectos. Mas não tenho vontade. Logo não tenho nada.
Não tenho vontade porque estou farto. Farto da… procura solução. Que tem as vissivitudes acima relatadas. Então uma leva a outra e como tal apetece simplificar tudo. Mudar coisas já feitas e não raras as vezes o tal, tchau vou ali ser outra pessoa.
O que é ridículo porque gostamos de ser quem somos. E só estamos bem onde não estamos. MAs também se isto fosse sempre assim também não mudávamos nunca. Então algo no meio tem de estar a linha para se seguir.
Teorias inconsequentes.
Roubaram-me a bicicleta no Sábado. Não é uma coisa fixe de se acontecer. No inicio fiquei, bom eu tenho uma nova por isso… Mas passado umas horas comecei a pensar na bicicleta. Comprei-a em 2001. Por mais estúpido, era uma companheira, uma amiga. Passámos juntos por muito. E sempre fazia tudo de bicicleta e sempre esteve presente em abundância em milhentos de momentos da minha vida. Fiquei realmente com pena dela se ter ido. Um lugar comum, mas ainda assim digo-o e, foi um bocado de mim que se foi.
Sou estranho. Sou capaz das coisas mais fantásticas e das mais ridículas, inexplicáveis. Queria um pouco do fantástico. Quaria aquele fantástico de ter na derradeira, ter feito exame nacional math 12º. Queria a disposição que me corria nas veias. É o último momento em que fui grande. É a última coisa bem que me lembro de ter feito. Com honestidade. Em que a ajuda, foi ajuda; em que esforço, foi esforço; em que plano, foi plano; em que estudar, foi estudar; em que amizade foi amizade; em que ir ser alguém, foi ir ser alguém; em que ser inteligente, foi ser inteligente; em que ser puto, foi ser puto; Ridículo ter-me permitido ter uma recordação de perfeição tão antiga; a minha insignificância, o gozo, mereço-o.
Porque o coorporativismo cega-nos. Por certo se tornará óbvio que, o coorporativismo é tão importante, indissociável da felicidade, mas caramba, macacos me mordam se sem a minha realização individual ele vale de algo.
Por isso sou duro. Sim, tenho o tal blog famoso na área, conheci através dele pessoas dali e daculá e todo o conceito é algo único e meu: criei algo; e tenho uma relação amorosa, e tenho amigos, e tenho um grupo (longa luta), e vivo na Europa, Portugal; e tenho pais ue me deram boa educação; though, obrigado, mas sem eu, sentir, eu, de que me vale. Por isso é isso o problema. Por isso o caderno A5 está recheado de boas ideias, de boas optimizações para o blog, por isso o blog está a crescer, relações estão estreitadas. Mas de que me vale isso e esses achivments coorporativistas que valorizam os outros, quando, embora tendo consciência que tal é importante e que lutei para tal, o meu maior achivment nunca é alcançado — é útopia pensar que se alcança alcançar; mais perto é-me suficiente.
Repito-me.
Sempre foi, agudizou-se depois. Esta dictomia de, num lado sentir felicidade daquela que nos deixa completos, mas numa relação simultânea, esquecida por vezes, o mal-estar, desilusão própria. Com a minha namorada longe ficou mais desiquilibrado. Creio mesmo que cheguei à gota de água. Não só pelo contexto assim o ditar, mas porque sim. Chegou mesmo. Estou mesmo farto e já tudo me incomoda. A esperial com que enverdei aconselha essa mesma inferição.
No outro dia que durou uma semana, desisti. Abandonei tudo. Saí daqui e refugiei-me em mim. Não falei com ninguém praticamente. Não saí de casa. Comi o essencial para me amanter vivo (quando se passa o dia ao pc não é preciso muita comida — mas isso já eu sabia). Vi coisas (lol eu sei). Do alto do meu computador vi tudo o que à velocidade com que eu navego na internet (rápido e cheio de script e extensões no firefox para optimização de tempos de certas tarefas para ser ainda mais rápido que rápido!) é possível ver numa semana.
Óbviamente não sou estúpido. Voltei ao mundo dos vivos. Nisso sou bom. Às vezes é irritante a capacidade de controlo que tenho sobre mim mesmo. Mesmo quando tento fazer coisas “fora” e malucas, sei sempre que o estou a fazer.
Do que é que me valeu? Nada estupidamente revelador. Foi o que foi. Foi aí que comprei o caderno e tal. Mas valeu a pena.
Não é muito dificil. Eu sou inconsequente, mas caramba é “fazer”. Por isso sei o que me espera. E sei o que vou fazer. Não é que resolva, como referi em cima, não tenho muita esperança em minha capacidade de “fazer” — e não coisas tipo auto-ajuda e o Segredo e positivismo não resulta; faz tudo parte do pacote da frente “força” — mas pelo menos fico mais de consciência. E secretamente creio que fará algo. Não tem de ser mas por aí passará.
Terei de deixar internet. Deixar o meu blog. É por isso que ainda não enviei para o arranjo o portátil. Tenho estado a “contratar” gente e assim que ele consiga sobreviver sem mim, estou fora. Portátil para arranjo. E fico eu de volta às raízes do 1º semestre 1º ano. Não vale de nada concretamente. Já o experimentei nestas condições. Mas como disse, faço-o de consciência mais tranquila. Só falta arranjar gente fisíca; aborrece-me conhecer tanta gente na net. Conhecer e ser amigo e gostar de falar com essas pessoas. Em Faro é difícil. É tudo tão caseiro o que eu conheço.
Detalhes ridículos.
E é um texto longo. Longo. É para mim. Propositadamente digo coisas absurdas, sem nexo e com erros ortográficos. Escrevo-as. Não me apetece voltar atrás.
As a side thought: a morte será necessáriamente um local que idealizo como o sítio onde todas pessoas boas que conheci ao longo da vida estarão reunidas e poderei agradecer. Já que vivo não o poderei fazer — logistica serious business.
E não, nada disto é eureka para mim e fabulástico. É um texto como outro qualquer. É o que é.

2 Comentários
Outubro 13, 2009 ás 2:20 am
Cheguei aqui, nem sei bem como, e gostei.
Não sei bem ainda porquê!
Beijos!
Novembro 21, 2009 ás 12:31 am
Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu