O último filme que vi foi, enfim, o Planet Terror. Deitado numa parte *minúscula* da cama.

Trata-se de um filme de série Z, inserido na Grindhouse, tendo a primeira parte ficado ao encargo do Quentin Tarantino. Por cá, foi dividido as duas partes em dois filmes. A primeira parte, Death Proof, eu adorei. Agora isto…hum.

Está certo que um filme de série Z vem buscar os defeitos da série B. E junta tudo em incongruências na história e exploração do exagero. Esses erros são explorados de forma artística, ou pelo menos é essa a intenção ficando ao cargo de cada um se a coisa é artística ou não. Porque estamos num tempo onde bocados de filme que faltam e a fita estragada — os dois erros mais visíveis — já não acontecem de forma involuntária. Por isso as pessoas que acham muito mal a série grindhouse ter estes erros porque estamos no século 21 são muito estúpidas. É que não há outra forma de classificá-las. Há coisas que são opinião, e há outras que são e pronto. Que não gostem, mas pelo amor de Deus não me venham dizer que está mal/não gostam porque agora estamos na era digital/século 21/há-muita-tecnologia-nos-dias-de-hoje/coisas-estúpidas-etc.
E está certo, dizia, tudo o que envolve o filme ser de série Z, mas talvez por eu ter gostado tanto da primeira parte (Death Proof) o filme foi caindo de emoção até ao fim.

— é claro que não podia faltar mulher boa descascada –
Muito sangue, muita espectacularidade, muita acção, muita coisa que não bate certo — e que é suposto não bater certo. Mas porque é que no Death Proof a coisa resultou bem e neste nem por isso? Não sei. Talvez o filme não seja realmente mau, tendo em conta o espírito em que está inserido, mas eu acho-o contudo.
Há quem ache como eu, há quem ache o contrário e há quem goste igualmente dos dois, sendo este caso mais raro de encontrar. E é esta particularidade que resulta de forma tão brilhante neste reviver dos filmes de série Z. Antigamente, para atrair público a ver filmes tão maus, era optado por numa sessão colocar dois filmes em exibição. Pelo preço de um via-se dois filmes. Faz sentido no conjunto destes dois filmes surgir uma certa complementaridade — ao invés de linearidade. Tentar tocar gostos de pessoas mais diferentes possíveis, para que a audiência da sessão (os dois filmes) pudesse ser mais ampla e assim vender o belo do bilhete. Um filme associado a outro. O outro trás certas pessoas, o filme trás ainda outras. Ambos ganham mais espectadores e consequentemente dinheiro, para além do reconhecimento que não se mede instantaneamente. É esta a razão no fundo da existência de dois filmes numa sessão. E afinal de contas como deveria ter sido o Grindhouse, mas que por questões de viabilidade financeira (afinal de contas, apenas a estética é de filme pobre) em Portugal — e no resto do mundo que não os EUA — os filmes foram exibidos em separado. Assim sendo, a disparidade de opiniões até entra mais coisa menos coisa no espírito da coisa.

Faltavam 20m para o fim e comecei a sentir um pouco de tédio. Para tentar provar a mim mesmo que a minha ideia era fruto de um ‘defeito pensativo’ da minha parte perguntei a ela se estava a achar um pouco seca o filme. Ela acordou com a minha pergunta. Mas porque parece que todas as mulheres vêm programadas à nascença para adormecer a ver filmes sem que com isso queira dizer se gostam ou não, voltei a perguntar. Parece que não era defeito opinativo meu.

Infelizmente não posso fugir ao certo tédio que senti. Vê-se claro, mas não é para todos não achar uma ponta de tédio por entre tanta coisa exagerada mas que no caso do Planet Terror soa mal. Talvez eu goste mais da cereberalidade (não me lembro como se escreve esta palavra) da narrativa e filmagem imposta por Tarantino no Death Proof. Talvez seja disso.

4 Comentários
Janeiro 25, 2008 ás 6:41 pm
Coincidência, ainda na 4ªfeira, fui com uns amigos ao clube de vídeo alugar qualquer coisa pra vermos e não é que o raio do magano alentejano trouxe esse filme? (Que já tinha visto e, tal como tu, tb acho q só a parte do Tarantino se aproveita realmente.)
Mas tal foi o estardalhaço que fizemos na loja, à custa de discussões quanto ao filme a trazer, que a senhora do balcão só se ria. xD
Janeiro 30, 2008 ás 12:12 pm
À parte discussões acerca do filme, de que, de facto não gostei – e isto é uma opinião
– quero só esclarecer que NINGUÉM adormeceu naquele filme. E que, se alguém teve os olhos fechados (por breves instantes, claro) foi apenas para fins introspectivos…e bem… o conforto daquela parte *minúscula* da cama também contribuiu para que se tornasse quase irresistível fechar os olhos…para reflectir sobre o filme, obviamente.*
Fevereiro 4, 2008 ás 5:17 pm
@violetazinha coitado.. agora é raio do magano
Mas és caranguejo claro que só ias gostar do tarantino. Tá nos genes só gostarmos de coisa boa >.<
Fevereiro 4, 2008 ás 5:20 pm
@tcpf se me garantes que foi só fruto do acaso estares com olhos fechados.. eu como manaça em que me transformaste digo que acredito claro
Mas a parte minuscula era minha. Se eu estava na parte minusculo é porque havia alguém que me roubava tudo. tudo!
Bem pelo menos vimos um filme! Ninguém nos para a partir de agora ehhe (: