Novembro 25, 2007...4:48 am

Telefonei

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Cheguei a casa e ainda olhei alguns segundos para o telemóvel. Sempre telefonei.

Falámos. Hora e tal passada, e decorridos quase 6 anos e meio desde a última vez, falámos verdadeiramente.

Falámos de tudo. E quando falámos do nosso passado em comum foi curioso verificar o quão diferente é a forma dela discursar agora. Não o teor do mesmo. A forma. Está tão crescida ela, foi o que pensei. Claro que isso seria expectável. Mas ouvi-la falar das mesmas coisas e lembrar-me de quando ela há 7 / 8 anos falava das mesmas coisas, foi uma sensação gira.

Num assunto, lembrei-me de uma característica minha que fui perdendo ao longo destes últimos 5 anos. Provavelmente será aquilo que mais em comum sempre tivemos. A dela continua intacta. Como um raio, apercebi-me de que com tanta discussão estúpida, inútil e mesquinha esqueci-me dessa característica. Algumas das mesmas discussões que ela contou-me que teve, mas que, todavia, conseguiu ainda assim continuar igual. Eu não.

Pessoas ainda nos recordam como dois sujeitos que não tinham nada a haver um com o outro. Rio-me sempre e sei que faço umas caras estranhas, lol. Nunca argumento muito porque discordo. É difícil verbalizar algo que sempre foi sentido. Recordei-me porque devo continuar a ter a mesma atitude. Tantos anos depois e sem hesitações confiámos um ao outro assuntos que não se confiam a alguém a qual já não se fala verdadeiramente há tantos anos. Da forma descontraída, tranquila e descomplexada sobretudo.

Antes eu ouvia o que era autênticos massacres de como ela era sonsa ou algo no género. Ah e tal muito faladora mas sem o focus. Com certo espanto ainda oiço, lol. Mais ou menos sempre entendi o que queriam dizer, e voltei entender quando me voltaram a falar do mesmo. Mas continua a ser a mesma história de antigamente. São considerações desprovidas de um conhecimento que não seja superficialmente supérfluo — que definição tão jeitosa; na altura ter-me-ia dado imenso jeito! É simplesmente não conhecê-la. Não conseguir descortinar o lado complexo e determinado dela, no meio daquele querer agradar a gregos e troianos que tantas vezes lhe trouxe dissabores e que por inerência, acredito eu, sempre fez/faz pessoas pensarem na tal sonsice ou como se lhe queira chamar.

Ri-me um pouco quando desliguei. As coisas com ela têm realmente piada. Ela é realmente minha amiga. Com ela posso realmente contar.
Foi tão engraçado voltar a falar com ela.

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